20.10.07

O Inimigo Invisível

-Sobre como os agentes químicos sintéticos atacam a fertilidade, podendo levar à extinção da Raça Humana (e de outras espécies).
-Estaremos, nós, fazendo uma guerra química contra nós mesmos?!

"De tempos em tempos, uma adolescente visita o consultório do ginecologista porque ainda não teve sua primeira menstruação, apesar de todas as suas colegas já terem vivido este rito de passagem. Normalmente, não há nada de seriamente errado.
Porém, em alguns raros casos, o médico vai chegar a um diagnóstico chocante. A paciente não está menstruando porque, apesar das aparências, ela não é uma fêmea. Mesmo tendo crescido com a aparência de uma menina normal, esses indivíduos apresentam os cromossomos masculinos XY e, em seu abdômen, testículos ao invés de ovários. Porém, devido a um defeito que os torna insensíveis à testosterona, eles nunca responderam às pistas hormonais que dão início à masculinização. Eles nunca desenvolveram o corpo e o cérebro de um macho.
As fotos desses seres não-concluídos, nos livros de medicina, são fascinantes. Não há nada em seu corpo despido que pareça estranho ou incomum. Nem sequer uma busca detalhada de um sinal de que um macho genético se esconde por dentro daqueles corpos revelará qualquer sinal de desenvolvimento descarrilado. Esses seres geneticamente masculinos se parecem exatamente com mulheres comuns, com seios normais, ombros estreitos e quadris mais largos.
Tais machos completamente feminilizados são o exemplo mais extremo do que acontece quando alguma coisa bloqueia as mensagens químicas que direcionam o desenvolvimento. Se alguma coisa interfere na testosterona ou na enzima que amplifica seu efeito, então o tecido comum encontrado em fetos de meninas e meninos se transformará em um clitóris e na genitália externa feminina. Em casos menos extremos, machos podem apresentar uma genitália ambígua ou pênis pequenos e criptorquidia (retenção dos testículos antes da descida para o escroto)." Trecho retirado do livro O FUTURO ROUBADO; Theo Colborn e outros. Ed. L&PM. Porto Alegre/2002.

Os agentes químicos que mimetizam (alteram, enganam) hormônios, estão relacionados à crescente incidência de câncer de mama e de próstata em todo o mundo. Acumulam-se na gordura animal e são transmitidos aos embriões e fetos no útero e pela amamentação, na gordura do leite materno.
Agem sobre os sistemas imunológico, nervoso e endócrino das crianças, alterando o metabolismo e causando desde defeitos físicos congênitos facilmente visíveis, até desvios sutis de comportamento dificilmente identificáveis, com manifestações ao longo dos anos como retardo mental e dificuldades de aprendizagem (hiperatividade, déficit de atenção e problemas de coordenação motora). Nos machos da espécie, causam dimiuição no tamanho do pênis, bem como na contagem de espermatozóides. Causam, também, atrofia no aparelho reprodutor, levando a infertilidade e esterilidade pelo mau funcionamento.
No comportamento, "fragilizam as formas pelas quais os seres humanos interagem uns com os outros e, dessa forma, ameaçam a harmonia social da civilização moderna."
Quantas pessoas estão nessa situação e não sabem e, se sabem, não têm a menor idéia de que esteja relacionado com o que ingerem ou com o que seus pais ingeriram?
Desde os agrotóxicos sabidamente mais venenosos como o DDT (já proibido em muitos países, mas ainda em uso em lugares como a Índia), até pequenas moléculas que se soltam dos plásticos, os agentes químicos que alteram hormônios, quando lançados na natureza, permanecem por muitos anos, passando de um animal à outro através da cadeia alimentar, na qual estamos na parte mais perigosa, o topo. Pelo caráter persistente e cumulativo dos agentes químicos sintéticos que mimetizam hormônios, os animais que estão no alto da cadeia alimentar são os que apresentam a maior quantidade desses compostos em sua gordura.
Mesmo que a exposição à DDT e outros químicos persistentes tenha diminuído nos países desenvolvidos e alguns mais, a exposição a outros agentes químicos alteradores de hormônios cresce rapidamente no mundo civilizado. Veja-se a quantidade de plásticos que substituíram papel e vidro em embalagens nas últimas décadas, sendo colocados, inclusive, como proteção interna nas latas de conservas.
Os encanamentos com PVC, largamente empregados em todo o mundo, também se mostraram perigosos, por liberarem moléculas, contaminando a água. Uma série de descobertas acidentais demonstrou que, ao contrário do que se acreditava, os plásticos não são inertes, e que alguns agentes químicos que migram dos plásticos são hormonalmente ativos. Apesar de nem todos os plásticos serem perigosos, os segredos industriais não permitem que se saiba ao certo qual a composição química de um determinado material.
Os cientistas advertem que os alteradores hormonais espreitam em óleos, cosméticos, shampoos e outros produtos comuns (bem como nas embalagens).
Como agem os compostos químicos sintéticos que alteram hormônios?
Podemos fazer uma analogia entre a formação de um novo ser humano no interior do útero materno e a construção de um edifício. Os gens são os projetos originais feitos pelos engenheiros civil, hidráulico, elétrico e pelo arquiteto. Os hormônios são os responsáveis por determinar a execução dos projetos, mais ou menos como um mestre-de-obras faz, lendo as plantas e dando as ordens aos trabalhadores. Os agentes químicos sintéticos são falsos mestres-de-obras que sabotam a execução da obra. São impostores infiltrados entre os trabalhadores sem serem reconhecidos, dando ordens erradas por desconhecerem as plantas, resultando em prédios que podem desabar ainda durante a construção, ou mesmo apresentar problemas após vários anos depois de prontos, como rachaduras, infliltrações, vazamentos, defeitos na rede elétrica, etc...
Da mesma forma que em um prédio, os defeitos estruturais, principalmente os que aparecem após anos da conclusão da obra, dificilmente são imputados a um mestre-de-obras incompetente, também os defeitos físicos ou comportamentais no ser humano (e em outros animais), dificilmente são relacionados aos agentes químicos sintéticos que alteram hormônios, devido às limitações da tecnologia atual para análise, à falta de incentivo às pesquisas e ao tempo decorrente entre causa e efeitos.
Mas é assim que eles agem, minando e estragando vidas, de forma irreversível, no período mais crucial de sua formação, conforme apontam as descobertas até aqui realizadas. Segundo os especialistas, durante o período de gestação, quando os órgãos e todas as funções do organismo estão sendo formados, os hormônios desempenham um papel fundamental na orientação da formação de cada parte do novo corpo, como mensageiros da carga genética, através de um sistema transmissor/receptor para comunicar o que cada célula deve construir. Os agentes químicos sintéticos, se passam por hormônios, acoplando-se aos receptores que esperam as informações, dando ordens alteradas às células, resultando na má formação dos órgãos e causando todos os problemas já citados.
No curso das pesquisas, na busca por populações descontaminadas para estudos comparativos, cientistas descobriram, estarrecidos, que nem mesmo os esquimós que vivem isolados em regiões remotas do Ártico, escaparam à contaminação. A terrível conclusão a que chegaram é que nenhuma criança nasce atualmente, no mundo, livre desses agentes químicos sintéticos que alteram hormônios.

Um grupo multidisciplinar, de especialistas em várias áreas, se reuniu em Wingspread, Racine, estado de Wisconsin, EUA, de 26 a 28 de julho de 1991, para abordar o tema, e do encontro foi elaborado um documento contendo as conclusões de consenso. O documento foi denominado a "Declaração de Wingspread". A primeira parte diz textualmente:
"DECLARAÇÃO DE CONSENSO
Os participantes da oficina de trabalho estabeleceram o seguinte consenso:
1. Temos certeza de que:
Um grande número de agentes químicos sintéticos que foram lançados no ambiente, assim como alguns agentes naturais, podem alterar o sistema endócrino dos animais, inclusive o dos seres humanos. Entre estes agentes se encontram os compostos organo-halogênicos persistentes e biocumulativos que incluem alguns agrotóxicos (fungicidas, herbicidas e inseticidas) e agentes químicos industriais, além de outros agentes sintéticos e alguns metais.
Muitas populações de animais silvestres já foram atingidas por tais compostos. Os impactos observados incluem disfunções da tireóide em aves e peixes; diminuição da fertilidade entre aves, peixes, moluscos e mamíferos; queda na produção bem-sucedida de filhotes entre aves, peixes e tartarugas; anomalias metabólicas em aves, peixes e mamíferos; anomalias comportamentais em pássaros; desmasculinização e feminilização de aves peixes e mamíferos do sexo masculino; e comprometimento do sistema imunológico de pássaros e mamíferos.
O padrão dos efeitos varia entre as espécies e entre compostos. Contudo é possível estabelecer quatro pontos gerais: (1) os agentes químicos em questão podem ter efeitos completamente diferentes sobre embrião, feto ou organismo perinatal, de um lado, e sobre seres adultos, de outro;(2) na maioria dos casos os efeitos se manifestam na prole, não nos pais expostos à contaminação;(3) o momento da exposição do organismo em desenvolvimento é fundamental na determinação do seu caráter e potencial futuro;e (4) embora a exposição durante o desenvolvimento do embrião seja crítica, manifestações óbvias podem surgir apenas quando o indivíduo atingir a fase adulta.
Os estudos de laboratório corroboram os registros de anomalias no desenvolvimento sexual observados em pesquisas de campo e fornecem mecanismos biológicos para explicar os fenômenos observados em animais silvestres.
Os seres humanos também foram atingidos por compostos dessa natureza. O DES (dietilestilbestrol), um agente terapêutico sintético, como muitos dos outros compostos mencionados acima, têm efeitos estrogênicos. As filhas de mulheres que receberam DES apresentam índices mais elevados de adenocarcinoma de células claras vaginais, além de várias anomalias do trato genital, gravidez anormal e mudanças nas suas respostas imunológicas. Tanto os meninos quanto as meninas que foram expostos ao DES no útero sofrem de anomalias congênitas no sistema reprodutivo e apresentam redução da fertilidade. Os efeitos observados em seres humanos expostos ao DES in útero são comparáveis àqueles observados em animais silvestres contaminados ou em animais de laboratório, sugerindo que os seres humanos podem estar correndo os mesmos riscos ambientais que afetam os animais silvestres."

Fonte O FUTURO ROUBADO; Theo Colborn e outros; tradução Cláudia Buchweitz. - Porto Alegre:L&PM, 2002.

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VAMOS REVERTER ESTE QUADRO.

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