20.12.07

O Buraco

De quem é a culpa pelo buraco na rua?
Do governo. Sim, do governo.
Quem deveria pagar o estrago feito no carro causado por um buraco na rua?
O governo. E por que não?
É o governo que tem a responsabilidade de executar obras públicas boas e mantê-las em condições de uso pela população. Não se dá conta, o governo, que quando alguém se machuca ou morre em decorrência de uma falha nas obrigações dos órgãos públicos, seja ela qual for, é um contribuinte a menos a gerar a grande riqueza da nação e, geralmente, uma pensão a mais para os cofres públicos pagarem.
Um ente querido a menos para a família, um contribuinte a menos para o Imposto de Renda e uma pensão a mais para a Previdência. Uma perda tripla para o país, causada por um descaso do governo com suas obrigações. Recebeu adiantado o dinheiro (imposto) para realizar as obras e não as fez, causando um problema para ele mesmo, equivalente a deixar morrer a galinha dos ovos de ouro (e ainda ter que pagar o enterro), por somente recolher os seus ovos sem cuidar da manutenção do galinheiro. (Com o perdão da comparação.)

25.11.07

A Hora Difícil

PÊSAMES

Vão-se os bons. Ficam-se os maus.
Deus não quer os maus com Ele.
Todos têm seu dia. Chegará o nosso também.
Assim é a vida.
Nascer é uma alegria. Morrer é uma tristeza.
Mas reflitamos um pouco: Por que a tristeza? Por que choramos?
Choramos por nós mesmos. Pela falta que uma pessoa tão querida faz a nós.
Nunca mais poder falar-lhe. Nunca mais poder escutar-lhe.
Por que não escutei? Por que não perdoei?
Agora é tarde. Não dá mais.
Por isso é que choramos.

31.10.07

O que é a Adolescência

Por que o adolescente é rebelde?

Antes de 1950 não existia Rock’n Roll e nem adolescência na sociedade.
A adolescência foi inventada pelo Rock”n Roll.
O Rock incentiva o uso de drogas.
As drogas criam as Máfias.
As Máfias utilizam adolescentes no uso de drogas e no tráfico.
O tráfico mata quase todos esses adolescentes.
Os adolescentes que não morrem viram adultos.
Os adultos viram políticos, empresários e eleitores.
Os eleitores votam nos políticos que fazem as leis sob pressão dos empresários.
Os empresários exigem democracia com Direitos Humanos.
Os Direitos Humanos cuidam para que ninguém seja maltratado.
Quem menos respeita os Direitos Humanos (o bandido) é quem mais se beneficia deles.
As leis sempre são feitas para que quem as fez não seja atingido por elas.
Aí está por que as leis parecem (parecem?) que protegem mais os bandidos do que o cidadão ordeiro.

E o adolescente?
Entra nessa porque não sabe o que é certo ou errado. Cresce ouvido Rock que é um estilo não muito definido (confuso), que admite até Rap e Funk. Vive no meio das drogas de todos os tipos sem saber se deve ou não encarar. Se não vai é careta. Nunca vai saber se é uma criança ou um adulto. Perdeu o rito de passagem definido.
O que o Rock fez foi criar um estágio entre a criança e o adulto que cada vez está maior e mais confuso. Quanto mais se tenta explicar e entender o adolescente mais se aumenta a confusão. Essas teorias explicativas são criadas por ex-adolescentes confusos que chegaram a maturidade sem saber o que aconteceu.

29.10.07

Humanidade Violenta

A história da humanidade é definida desde sempre pela opção violenta. Desde tempos imemoriais qualquer conflito é resolvido pela força, pela GUERRA. E como os que possuem um exército mais violento sempre ganham ou pelo menos modificam a sociedade dando um mau exemplo, passam para a posteridade como "heróis" para muita gente. Só para citar alguns exemplos Alexandre, Júlio Cézar, Napoleão, Hitler, Churchill, entre outros são considerados "gênios" militares. Gênios da guerra, da destruição, da morte. Muitas famílias foram assassinadas nas guerras desses senhores enquanto eles estavam nos seus escritórios seguros.
E tudo porque os homens não sabem resolver seus problemas através de uma conversa. Eu fico imaginando um mundo sem guerras e sem violência, porque o uso da violência é uma característica dos animais irracionais. Quando apelamos para o uso da força bruta estamos nos igualando aos animais, só que eles não conseguem raciocinar e os seres humanos não raciocinam por que não querem. Preferem abandonar seu dom divino de pensar e viver como animais brigando por qualquer coisa. Eu fico observando o mundo, as pessoas agindo dessa forma e parece que estou em uma floresta selvagem olhando seres parecidos com gente mas que são metade homem e metade bicho. Parece que a humanidade é composta de um tipo de lobisomem ou uma aberração animalesca qualquer. E os que não brigam, os pacíficos, são devorados pela maioria. Ghandhi foi um exemplo.

21.10.07

O Filme “Tropa de Elite”
(A Liga da Justiça Tupiniquim)

Vi o filme e me chamou atenção, portanto é um bom filme, bem feito e pode ser trabalhado em sala de aula por todas as disciplinas, com abordagens das mais diversas: sociológica, antropológica, lingüística, etc... O que tem no filme de tão importante? É um “drama policial” atual que mostra um pouco do lado de dentro da repressão ao crime, das favelas, das ONG’s, das universidades. Ao mexer com essas instituições sociais incomoda muita gente, por isso a polêmica toda. Mas sem entrar no mérito da questão o filme mostra sempre uma dualidade Dois lados de cada situação: a polícia “correta” e a “má”, a favela “boa” e a “ruim”, a ONG “produtiva” e a “aproveitadora”, a universidade com cultura e drogas. Tudo isso existe mesmo. É um fato. Onde e em que grau é o que se discute.
A história do filme é narrada pelo personagem principal, um “super-herói” com problemas de consciência sobre sua função, sua vida privada e sua identidade secreta. É isso que o filme mostra, que os policiais têm um identidade secreta para se preservar. O capitão no trabalho é uma coisa e em casa é outra. Quando veste a farda e se arma ele está na “Liga da Justiça”. No trabalho ele é durão, mas essa dureza não atinge sua família. Esse é o seu drama. Ele possui uma dupla personalidade que entra em conflito quando está para nascer o seu filho. O pacato cidadão familiar começa a se sobrepor ao militar radical e esse conflito só termina quando um lado vence. O “super-herói” opta pela supremacia do policial. Ele resolve que é um militar duro e que o pacato não existe mais, é só aparência. A cena em que ele chega em casa brigando com a mulher e dizendo que quem manda ali é ele marca essa opção. É o fim do drama interno e dos remédios calmantes.
A sociedade em geral é assim. Todos têm uma identidade secreta. Aparentam uma coisa e por dentro são outra. Dizem uma coisa, mas pensam outra. Isso é necessário para a convivência pacífica entre as pessoas. Começa a complicar quando caem as máscaras e se expõem duas identidades diferentes, geralmente uma muito ruim, anti-social, violenta.
O filme “Tropa de Elite” mostra um pouco dessas contradições e dramas pessoais que existem na sociedade. Não é nem mesmo um filme violento em vista dos inúmeros vindos de Hollywood, como Rambos, Exterminadores, Duros de Matar e muitos outros. Mas expõe o nosso quintal, a nossa casa, nós mesmos. Pode até ganhar o Óscar, pois é apenas um drama para os padrões norte americanos.

20.10.07

EUROCENTRISMO
Economia, Administração e Comércio

No que se refere ao desenvolvimento econômico, a capacidade de inovação da Europa cresceu de forma gigantesca a partir do Renascimento. Graças a isso, os europeus se tornaram senhores do mundo. Dominaram algumas culturas, destruíram outras e se impuseram a todas. A civilização européia passou a ser o modelo para o planeta e conseguiu, pela primeira vez na história, a unificação do mundo, que se ligou por laços econômicos cada vez mais estreitos. O processo se expandiu primeiramente graças à navegação impulsionada por portugueses e espanhóis, continuou a progredir e aparentemente não terá fim, a não ser que um desastre imprevisível mude radicalmente as condições de existência dos seres humanos sobre o planeta.
A revolução industrial, iniciada na Grã-Bretanha no século XVIII e logo propagada à Europa continental, transformou um punhado de pequenos países do extremo oeste da Europa no principal centro de riqueza mundial e no pólo inovador da tecnologia moderna. Economicamente, a Europa era o centro, e o resto do mundo, a periferia.
Ao longo do século XIX, uma nação recém-nascida, que estendia à costa leste da América do Norte a mentalidade européia mais progressista da época, se uniu ao velho continente na corrida do desenvolvimento econômico. As duas guerras mundiais do século XX sacudiram duramente o continente europeu e permitiram que os Estados Unidos se transformassem no núcleo central do sistema econômico mundial e deslocaram a Europa para o segundo lugar na corrida do desenvolvimento.
Nas últimas décadas do século XX, o principal impulso de inovação e crescimento econômico abandonou o Atlântico norte -- Europa ocidental e a costa leste dos Estados Unidos -- e se deslocou progressivamente para o Pacífico: as indústrias de ponta em inovação tecnológica, principalmente a eletrônica, convergiram para a costa oeste dos Estados Unidos e para o leste asiático. O estreito território das ilhas japonesas concentrava, no fim do século, uma extraordinária porção do poderio econômico mundial. O núcleo japonês estendeu seu exemplo a outros países do leste asiático -- Coréia, Hong Kong, Tailândia e Cingapura -- e os velhos países industriais da Europa passaram a observar, com crescente preocupação, como o mais importante eixo de trocas internacionais já não era a rota do Atlântico norte, mas sim a do Pacífico norte. No mundo capitalista, os dois grandes pólos econômicos, Estados Unidos e Europa ocidental, transformaram-se em três, com a ascensão do Japão.
Em contraste com os países do centro -- desenvolvidos, industriais, produtores de tecnologia, detentores de alta renda per capita e controladores das finanças e dos fluxos econômicos mundiais -- situam-se os da periferia. Quase todas as nações periféricas são antigas colônias que conquistaram a independência política, mas que em sua maioria não foram capazes de transformar as economias tradicionais. Na dura corrida do desenvolvimento econômico, esses países estão em último lugar. Os problemas econômicos que os afligem são muito mais claros que os dos países "centrais": não se trata de conseguir estar na dianteira do desenvolvimento tecnológico, mas sim da urgente necessidade de conseguir alimentar adequadamente a população.
As regiões periféricas eram povoadas, em maior ou menor densidade, quando os europeus a elas chegaram. Nelas existiam culturas e civilizações muito variadas: algumas desconheciam a escrita e se encontravam em estágios culturais primários, outras possuíam uma velha tradição de cultura escrita e uma longa história. A característica comum a todas elas, do Marrocos à China, e do México a Madagascar, era o modo de produção pré-capitalista. O contato das vigorosas economias capitalistas européias com as sociedades pré-capitalistas do resto do mundo produziu sistemas econômicos heterogêneos, caracterizados pela coexistência de um setor moderno, produtivo, capitalizado, voltado para os grandes mercados, e outro setor tradicional pré-capitalista, alheio a conceitos como maximização de lucros e à aplicação de inovações tecnológicas ao processo produtivo.
Nessa dualidade da economia está situada a origem do subdesenvolvimento. A persistência do fenômeno, no entanto, não pode ser creditada somente a causas remotas. A divisão do mundo em países industrializados, de um lado, e agro-exportadores, de outro, perpetuou o estado de subdesenvolvimento dos que se dedicam à produção de alimentos e matérias-primas. Por um perverso mecanismo imposto pelos países ricos ao mercado internacional, os produtos industrializados são sempre proporcionalmente muito mais caros que os produtos primários. Além disso, o atraso é excelente negócio para países altamente industrializados que desejam escoar produtos obsoletos e rejeitados por seu próprio mercado interno.
A maior parte dos países "jovens", tanto os que conservaram o modelo econômico capitalista como os que adotaram modificações mais ou menos radicais de caráter socialista se lançaram numa perseguição do modelo industrial e urbano dos países centrais. Seus dirigentes, com freqüência educados nas antigas metrópoles, queriam seguir a qualquer preço o caminho do desenvolvimento industrial trilhado no passado pelos países centrais. Os recursos de que dispunham, no entanto, não se prestavam muito a esse empreendimento: a abundância de mão-de-obra de baixa qualificação técnica e a escassez de capitais exigiam um modelo de desenvolvimento diferente do praticado, que dependia de capital e de tecnologia que permaneciam reféns dos países desenvolvidos. A partir da década de 1950, multiplicaram-se os empréstimos das instituições internacionais aos países pobres, o que se por um lado lhes forneceu recursos para o desenvolvimento, também deu origem a gigantescas e impagáveis dívidas externas.
O fracasso da industrialização forçada em alguns países periféricos impulsiona os economistas e sociólogos a buscarem um novo modelo de desenvolvimento diferente dos que até agora foram tentados. A industrialização não pode ser injetada numa sociedade tradicional sem provocar resistências e grandes sofrimentos humanos. É preciso encontrar formas de aumentar o bem-estar e a satisfação das necessidades essenciais da população dos países periféricos baseadas na geração de recursos próprios, provenientes da cultura tradicional de cada país.
Não é produto do acaso o êxito econômico obtido por algumas nações do leste asiático, que conseguiram associar as instituições econômicas modernas a sociedades de tradição fortemente comunitária e com uma poderosa organização social que data de muitos séculos. Embora os economistas tenham sido, durante várias décadas, incapazes de imaginar uma política de desenvolvimento alternativa, é cada vez mais firme a certeza de que os países periféricos não devem seguir cegamente o caminho dos países centrais, nas versões capitalista ou socialista, mas sim tratar de encontrar seu próprio caminho.
A dinâmica do desequilíbrio centro-periferia que caracterizava o sistema econômico mundial no final do século XX ameaçava aumentar mais ainda as diferenças entre os seres humanos de acordo com o ponto do planeta que habitassem. Enquanto o crescimento demográfico dos países periféricos era incomparavelmente maior que o dos países centrais, o aumento do produto interno bruto dos países desenvolvidos era globalmente muito superior ao dos subdesenvolvidos. Em muitos destes últimos, o produto por habitante, longe de crescer, diminuía.
No passado, a falta de meios de comunicação evitava que a fome que assolava uma região incomodasse os habitantes do resto do planeta. No final do século XX, porém, num mundo em que as atrocidades cometidas num continente eram exibidas ao vivo pela televisão ao público de outro, a distância econômica crescente entre centro e periferia representava não só um escândalo moral, mas também um perigo para a humanidade. A necessidade de diminuir as desigualdades foi aceita com relutância pelas classes privilegiadas de todos os países, mas pouco a pouco se criaram organismos internacionais com a missão de promover um desenvolvimento mais eqüitativo da economia mundial. Grande parte do trabalho, porém, está para ser feito, e os resultados são ainda muito discretos. Preconceitos e egoísmo, corrupção e jogos de poder geram forte resistência a uma nova ordem econômica internacional mais justa.
RECEITA DA PAZ INTERIOR

Inspire profundamente.
Sinta o cheiro do ar.
Escute, perceba, admire.
Não toque!
Não mexa! Faça nada.
Apenas... observe.
Pense em nada! Mente em branco.
Agora feche os olhos,
Repita tudo olhando para dentro de você mesmo.
Tente fazer isto por um segundo,
Para sempre...
Pobres: próximos e necessários
França, 19.12.2004
dezenove anos, em 1985, um cômico popular chamado Coluche criou uma iniciativa filantrópica chamada Restaurantes do Coração. Por ter sido pobre, e passado inúmeras dificuldades na infância, Coluche inventou uma organização de voluntários para dar de comer aos miseráveis durante o inverno. A operação começou em dezembro, para se confundir com o Natal (época de solidariedade e caridade cristãs, diz-se) e para enfrentar o inverno, que é difícil (a estação nem começou oficialmente e a temperatura à noite é de zero grau).
Restaurantes do Coração foi um sucesso: naquele inverno, foram distribuídos 8,5 milhões de refeições gratuitas. O cômico imaginava repetir a iniciativa dois ou três anos e então encerrá-la. O exemplo estaria dado, e a pobreza seguiria célere rumo ao desaparecimento. Quatro anos antes, em 1981, François Mitterand tinha sido eleito presidente numa campanha eleitoral cujo slogan era “romper com o capitalismo”.
Pois os Restaurantes do Coração não só continuaram como cresceram. No ano passado, eles serviram mais de 66 milhões de refeições. Agora, quarenta mil voluntários participam do empreendimento, que novamente deverá bater o recorde de refeições doadas. É uma maravilha que os franceses estejam cada vez mais solidários e dadivosos, certo?
Nem tanto. Restaurantes do Coração cresceu porque cresceu mais ainda o número de pobres franceses, tanto em termos absolutos como relativos. Em vinte anos, houve governos socialistas e de direita, o país não entrou em guerra, não houve catástrofes naturais de monta, a economia não passou por nenhuma recessão, a produtividade aumentou, a tecnologia foi incrementada, o PNB subiu – e a pobreza só fez crescer.
Para uma população de 60 milhões de pessoas, quase quatro milhões vivem abaixo da linha de pobreza, que é definida pela renda mínima mensal de 580 euros (cerca de 2 mil reais) por pessoa. Um milhão dos pobres oficiais são crianças. Mais de três milhões de franceses moram em habitações inadequadas. O número de pessoas que recebem a renda mínima passou de 400 mil, em 1988, para 1,2 milhão hoje. Há 170 mil famílias com endividamento crônico – o que faz com que os despejos por falta de pagamento do aluguel sejam proibidos durante o inverno. São 86 mil os sem-teto, os que moram na rua.
***
A França, apesar desses números vexaminosos, é um país rico. Um dos mais ricos, na verdade. Mundo afora, a situação piora bastante. A Unicef informa que, dos dois bilhões de crianças do planeta, um bilhão é pobre. Mais de 640 milhões não têm moradia conveniente; meio bilhão não têm acesso a instalações sanitárias; 400 milhões não bebem água potável; 90 milhões são desnutridas etc, etc, etc.Por quê?
Porque os pobres são necessários.
Esses últimos vinte anos foram o do fim do comunismo, que terminou de maneira abrupta na União Soviética e no leste da Europa, e vem terminando aos trancos e barrancos na China. Nos países subdesenvolvidos, como o Brasil, o receituário do capital foi seguido à risca: privatizações, desmonte do Estado, desregulamentação. O capitalismo se espalhou e se radicalizou. Os tempos de globalização triunfante, de expansão do mercado, não provocaram prosperidade. Provocaram o seu contrário: miséria e pobreza.
Provocam guerras, também. Guerras diferentes das do passado. Dos 59 conflitos que aconteceram entre 1990 e 2003, 53 foram internos, dentro de fronteiras nacionais. As guerras foram internalizadas, mantidas longe dos países ricos. Longe, os miseráveis se matam.
Como não há alternativas políticas ao capitalismo, é compreensível que as atividades caritativas e benemerentes tenham aumentado. De certa forma, elas canalizam, e controlam, o desencantamento com o estado geral da sociedade, com o número crescente de pobres. Daí a proliferação das organizações não-governamentais. Nelas, o indivíduo que quer fazer algo para ajudar o próximo, ou quer tentar resolver um problema social específico, pode se expressar. O que significa, por vias tortas, fazer política: as ONGs são financiadas por empresas ou por entidades que representam o grande capital (FMI, Banco Mundial, União Européia etc). Elas são instrumentos do capital para garantir a perpetuação da ordem estabelecida.
Só um exemplo: essas procissões cariocas onde a classe média se veste de branco e vai para a rua pedir “paz”. Em vez de organizar um assalto ao Palácio Guanabara, e exigir (sob pena de enforcamento sumário) que o governante de plantão garanta a segurança pública, pois essa é a função do Estado, ficam lá eles, posando para as câmeras de televisão, fazendo o papel de valorosos cidadãos. Com esse estratagema, o Estado é enfraquecido e as consciências culpadas se reconfortam.
Na França, não há nenhum grande partido, ONG, organização filantrópica, igreja, o que for, que se proponha a acabar com a pobreza. A fazer com que os pobres deixem de ser pobres. Todas elas defendem o modelo de organização social tal como ele é, estruturalmente: capitalista, baseado na propriedade privada, na existência de classes que oprimem e são oprimidas. Na França e em todo o mundo é assim. No Brasil também. Numa versão um pouco piorada.

***
Há alguns anos, Betinho lançou a campanha do Natal Sem Fome. O objetivo era mais modesto que o dos Restaurantes do Coração: fazer com que durante apenas um dia, o do Natal, não houvesse fome. A campanha foi muito bem um ano. Talvez dois. Houve vozes compungidas na televisão. Grandes empresas aproveitaram para fazer marketing social. No Natal seguinte a idéia sensibilizou menos gente. Poucos anos depois, estava sepultada.
O Natal sem Fome de Betinho foi retomado, com estardalhaço, pelo governo Lula, no programa Fome Zero. Que não foi adiante. O que configura o pior dos mundos: um governo que se empenha em manter a fome; numa sociedade onde a filantropia inexiste.
***
É difícil ver pobres em Paris. Não há crianças nos cruzamentos, sujando os pára-brisas. Ou garotos fingindo de malabaristas. Ou famílias inteiras jogadas no chão. Ou favelas, cabrochas, barracões de zinco sem telhado pertinho do céu. No máximo, um ou outro albanês ou romeno no metrô.
Como não vou às periferias bravas, onde estão os conjuntos habitacionais atulhados de imigrantes, tenho de me contentar com os clochards, os vagabundos. (O termo não é politicamente correto, reconheço. Mas o politicamente correto não existe na França. Ninguém vai na “mercearia”; vai-se, isso sim, ao “árabe”.) O clochard é um típico específico de pobre: ele é o bêbado, o doido – alcoólatra, doente mental, para voltar ao politicamente correto.
O clochard costuma viver na rua. Dorme sobe papelões, enrolado em cobertores imundos, cercados por garrafas de vinho. Costumam andar com carrinhos roubados de supermercados, repletos de sabe-se lá o quê. Eles só pedem moeda ou cigarro aos passantes. O clochard é uma criatura dos bairros. No boulevard Saint-Marcel, há dois. Um é militante: vende o jornal dos SDF (sem domicílio fixo). O outro é um rapaz de bastos bigodes, bem apessoado, que está sempre com um cachorro. No boulevard de l’Hôpital há outros dois. Um é doido de pedra, fala alto consigo mesmo, grita, dança. A Lina comentou uma vez: “le monsieur est très bavard”. O outro tem um defeito na mão e pede cigarro mesmo que esteja fumando. Na avenida dos Gobelins, há duas mulheres. Uma dorme em cima de um tubo de escapamento do metrô, para se esquentar. A outra, tal e qual celebridades brasileiras, está sempre de óculos escuros, mesmo à noite.
***
Talvez no Brasil seja mais difícil ainda ver pobres. Nos acostumamos a eles? Nos acostumamos ao sofrimentos deles? Pelo jeito, não. Tanto que, dado o temperamento nacional conciliador, sestroso e brejeiro, o que tem de pobre sendo fuzilado e queimado é uma enormidade. Principalmente em São Paulo. Meu filho perguntou há pouco se eu lembrava de um clochard nosso conhecido (de vista) que fazia ponto numa praça perto da igreja dos dominicanos, nas Perdizes. Era barbudo, cabeludo, corria atrás de carros, gritava. Claro que eu lembrava. Pois é: tomou três tiros numa noite dessas e morreu.

Fonte: Um brasileiro anônimo em Paris.
O Inimigo Invisível

-Sobre como os agentes químicos sintéticos atacam a fertilidade, podendo levar à extinção da Raça Humana (e de outras espécies).
-Estaremos, nós, fazendo uma guerra química contra nós mesmos?!

"De tempos em tempos, uma adolescente visita o consultório do ginecologista porque ainda não teve sua primeira menstruação, apesar de todas as suas colegas já terem vivido este rito de passagem. Normalmente, não há nada de seriamente errado.
Porém, em alguns raros casos, o médico vai chegar a um diagnóstico chocante. A paciente não está menstruando porque, apesar das aparências, ela não é uma fêmea. Mesmo tendo crescido com a aparência de uma menina normal, esses indivíduos apresentam os cromossomos masculinos XY e, em seu abdômen, testículos ao invés de ovários. Porém, devido a um defeito que os torna insensíveis à testosterona, eles nunca responderam às pistas hormonais que dão início à masculinização. Eles nunca desenvolveram o corpo e o cérebro de um macho.
As fotos desses seres não-concluídos, nos livros de medicina, são fascinantes. Não há nada em seu corpo despido que pareça estranho ou incomum. Nem sequer uma busca detalhada de um sinal de que um macho genético se esconde por dentro daqueles corpos revelará qualquer sinal de desenvolvimento descarrilado. Esses seres geneticamente masculinos se parecem exatamente com mulheres comuns, com seios normais, ombros estreitos e quadris mais largos.
Tais machos completamente feminilizados são o exemplo mais extremo do que acontece quando alguma coisa bloqueia as mensagens químicas que direcionam o desenvolvimento. Se alguma coisa interfere na testosterona ou na enzima que amplifica seu efeito, então o tecido comum encontrado em fetos de meninas e meninos se transformará em um clitóris e na genitália externa feminina. Em casos menos extremos, machos podem apresentar uma genitália ambígua ou pênis pequenos e criptorquidia (retenção dos testículos antes da descida para o escroto)." Trecho retirado do livro O FUTURO ROUBADO; Theo Colborn e outros. Ed. L&PM. Porto Alegre/2002.

Os agentes químicos que mimetizam (alteram, enganam) hormônios, estão relacionados à crescente incidência de câncer de mama e de próstata em todo o mundo. Acumulam-se na gordura animal e são transmitidos aos embriões e fetos no útero e pela amamentação, na gordura do leite materno.
Agem sobre os sistemas imunológico, nervoso e endócrino das crianças, alterando o metabolismo e causando desde defeitos físicos congênitos facilmente visíveis, até desvios sutis de comportamento dificilmente identificáveis, com manifestações ao longo dos anos como retardo mental e dificuldades de aprendizagem (hiperatividade, déficit de atenção e problemas de coordenação motora). Nos machos da espécie, causam dimiuição no tamanho do pênis, bem como na contagem de espermatozóides. Causam, também, atrofia no aparelho reprodutor, levando a infertilidade e esterilidade pelo mau funcionamento.
No comportamento, "fragilizam as formas pelas quais os seres humanos interagem uns com os outros e, dessa forma, ameaçam a harmonia social da civilização moderna."
Quantas pessoas estão nessa situação e não sabem e, se sabem, não têm a menor idéia de que esteja relacionado com o que ingerem ou com o que seus pais ingeriram?
Desde os agrotóxicos sabidamente mais venenosos como o DDT (já proibido em muitos países, mas ainda em uso em lugares como a Índia), até pequenas moléculas que se soltam dos plásticos, os agentes químicos que alteram hormônios, quando lançados na natureza, permanecem por muitos anos, passando de um animal à outro através da cadeia alimentar, na qual estamos na parte mais perigosa, o topo. Pelo caráter persistente e cumulativo dos agentes químicos sintéticos que mimetizam hormônios, os animais que estão no alto da cadeia alimentar são os que apresentam a maior quantidade desses compostos em sua gordura.
Mesmo que a exposição à DDT e outros químicos persistentes tenha diminuído nos países desenvolvidos e alguns mais, a exposição a outros agentes químicos alteradores de hormônios cresce rapidamente no mundo civilizado. Veja-se a quantidade de plásticos que substituíram papel e vidro em embalagens nas últimas décadas, sendo colocados, inclusive, como proteção interna nas latas de conservas.
Os encanamentos com PVC, largamente empregados em todo o mundo, também se mostraram perigosos, por liberarem moléculas, contaminando a água. Uma série de descobertas acidentais demonstrou que, ao contrário do que se acreditava, os plásticos não são inertes, e que alguns agentes químicos que migram dos plásticos são hormonalmente ativos. Apesar de nem todos os plásticos serem perigosos, os segredos industriais não permitem que se saiba ao certo qual a composição química de um determinado material.
Os cientistas advertem que os alteradores hormonais espreitam em óleos, cosméticos, shampoos e outros produtos comuns (bem como nas embalagens).
Como agem os compostos químicos sintéticos que alteram hormônios?
Podemos fazer uma analogia entre a formação de um novo ser humano no interior do útero materno e a construção de um edifício. Os gens são os projetos originais feitos pelos engenheiros civil, hidráulico, elétrico e pelo arquiteto. Os hormônios são os responsáveis por determinar a execução dos projetos, mais ou menos como um mestre-de-obras faz, lendo as plantas e dando as ordens aos trabalhadores. Os agentes químicos sintéticos são falsos mestres-de-obras que sabotam a execução da obra. São impostores infiltrados entre os trabalhadores sem serem reconhecidos, dando ordens erradas por desconhecerem as plantas, resultando em prédios que podem desabar ainda durante a construção, ou mesmo apresentar problemas após vários anos depois de prontos, como rachaduras, infliltrações, vazamentos, defeitos na rede elétrica, etc...
Da mesma forma que em um prédio, os defeitos estruturais, principalmente os que aparecem após anos da conclusão da obra, dificilmente são imputados a um mestre-de-obras incompetente, também os defeitos físicos ou comportamentais no ser humano (e em outros animais), dificilmente são relacionados aos agentes químicos sintéticos que alteram hormônios, devido às limitações da tecnologia atual para análise, à falta de incentivo às pesquisas e ao tempo decorrente entre causa e efeitos.
Mas é assim que eles agem, minando e estragando vidas, de forma irreversível, no período mais crucial de sua formação, conforme apontam as descobertas até aqui realizadas. Segundo os especialistas, durante o período de gestação, quando os órgãos e todas as funções do organismo estão sendo formados, os hormônios desempenham um papel fundamental na orientação da formação de cada parte do novo corpo, como mensageiros da carga genética, através de um sistema transmissor/receptor para comunicar o que cada célula deve construir. Os agentes químicos sintéticos, se passam por hormônios, acoplando-se aos receptores que esperam as informações, dando ordens alteradas às células, resultando na má formação dos órgãos e causando todos os problemas já citados.
No curso das pesquisas, na busca por populações descontaminadas para estudos comparativos, cientistas descobriram, estarrecidos, que nem mesmo os esquimós que vivem isolados em regiões remotas do Ártico, escaparam à contaminação. A terrível conclusão a que chegaram é que nenhuma criança nasce atualmente, no mundo, livre desses agentes químicos sintéticos que alteram hormônios.

Um grupo multidisciplinar, de especialistas em várias áreas, se reuniu em Wingspread, Racine, estado de Wisconsin, EUA, de 26 a 28 de julho de 1991, para abordar o tema, e do encontro foi elaborado um documento contendo as conclusões de consenso. O documento foi denominado a "Declaração de Wingspread". A primeira parte diz textualmente:
"DECLARAÇÃO DE CONSENSO
Os participantes da oficina de trabalho estabeleceram o seguinte consenso:
1. Temos certeza de que:
Um grande número de agentes químicos sintéticos que foram lançados no ambiente, assim como alguns agentes naturais, podem alterar o sistema endócrino dos animais, inclusive o dos seres humanos. Entre estes agentes se encontram os compostos organo-halogênicos persistentes e biocumulativos que incluem alguns agrotóxicos (fungicidas, herbicidas e inseticidas) e agentes químicos industriais, além de outros agentes sintéticos e alguns metais.
Muitas populações de animais silvestres já foram atingidas por tais compostos. Os impactos observados incluem disfunções da tireóide em aves e peixes; diminuição da fertilidade entre aves, peixes, moluscos e mamíferos; queda na produção bem-sucedida de filhotes entre aves, peixes e tartarugas; anomalias metabólicas em aves, peixes e mamíferos; anomalias comportamentais em pássaros; desmasculinização e feminilização de aves peixes e mamíferos do sexo masculino; e comprometimento do sistema imunológico de pássaros e mamíferos.
O padrão dos efeitos varia entre as espécies e entre compostos. Contudo é possível estabelecer quatro pontos gerais: (1) os agentes químicos em questão podem ter efeitos completamente diferentes sobre embrião, feto ou organismo perinatal, de um lado, e sobre seres adultos, de outro;(2) na maioria dos casos os efeitos se manifestam na prole, não nos pais expostos à contaminação;(3) o momento da exposição do organismo em desenvolvimento é fundamental na determinação do seu caráter e potencial futuro;e (4) embora a exposição durante o desenvolvimento do embrião seja crítica, manifestações óbvias podem surgir apenas quando o indivíduo atingir a fase adulta.
Os estudos de laboratório corroboram os registros de anomalias no desenvolvimento sexual observados em pesquisas de campo e fornecem mecanismos biológicos para explicar os fenômenos observados em animais silvestres.
Os seres humanos também foram atingidos por compostos dessa natureza. O DES (dietilestilbestrol), um agente terapêutico sintético, como muitos dos outros compostos mencionados acima, têm efeitos estrogênicos. As filhas de mulheres que receberam DES apresentam índices mais elevados de adenocarcinoma de células claras vaginais, além de várias anomalias do trato genital, gravidez anormal e mudanças nas suas respostas imunológicas. Tanto os meninos quanto as meninas que foram expostos ao DES no útero sofrem de anomalias congênitas no sistema reprodutivo e apresentam redução da fertilidade. Os efeitos observados em seres humanos expostos ao DES in útero são comparáveis àqueles observados em animais silvestres contaminados ou em animais de laboratório, sugerindo que os seres humanos podem estar correndo os mesmos riscos ambientais que afetam os animais silvestres."

Fonte O FUTURO ROUBADO; Theo Colborn e outros; tradução Cláudia Buchweitz. - Porto Alegre:L&PM, 2002.

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